Certa feita, afirmei: quem publica um livro se comporta como um náufrago que, de uma ilha deserta, escreve uma mensagem, põe numa garrafa e lança ao mar na expectativa de que, nalguma praia, alguém possa encontrá-la. Todo livro é um desejo de encontrar quem o leia. Trata-se de incerta jornada...
Na verdade, não posso queixar-me: das garrafas que lancei algumas caíram nas mãos de crianças e adolescentes e foram (são) lidas por leitores honestos. Crianças não “gostam” para agradar a ninguém.
Ontem estive no Teresina Shopping onde se realiza a Feira do Conhecimento, do Educandário Santa Maria Goretti. Uma festa plural com a participação de alunos, pais de alunos, professores e quem mais chegar. Um encontro bonito.
De repente num dos estantes, vejo estampada num cartaz uma carantonha que não me é estranha. Comandando o espaço uma menininha bonita, esperta, falando sobre um certo catingueiro do sertão do Caracol. A menina sabia mais de mim do que eu. Não pude ocultar uma pontinha de inveja: naquela idade, eu mal conseguia gaguejar meu próprio nome.
Depois, vieram abraços, fotos e dilúvios de perguntas. Mais uma vez, repito dileta amiga: saí da feira lambuzado de carinho...
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.





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