Contemplar as figuras rupestres nos paredões da Serra da Capivara é excelente pretexto para empreendermos viagens especulativas. Diante de um painel instigante, pensei: seguramente, quem fez isso não era um bravo guerreiro nem um hábil caçador. Guerreiros e caçadores não “perdem tempo com esse tipo de coisa”. É possível que tudo aquilo seja obra de mulheres que, como se sabe, são menos afeitas ao prazer de matar... Digamos que, por inaptidão para as tarefas "produtivas", alguns moradores daquele mundo hostil tenham resolvido registrar cenas do cotidiano: caçadas, sexo, crenças, atividades lúdicas... Consciente ou inconscientemente, estavam fazendo arte. Resultado: não só embelezaram as cavernas como deixam pistas para que possamos imaginar como viviam, o que faziam. Ferreira Gullar tinha razão: “A arte existe porque a vida não basta”
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.





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