O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, precisa responder se manterá a atual política de reajuste do salário mínimo acima da inflação. E se garantirá os mesmos ganhos reais às aposentadorias e benefícios vinculados ao piso. Sim ou não, é simples.
Segundo Fernando Canzian, na Folha, sua equipe estuda um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões, incluindo desvincular aposentadorias e BPC da valorização do mínimo e alterar os pisos de saúde e educação. A campanha diz que nada é oficial. Então basta prometer que não fará isso. Mas o silêncio convém. À Faria Lima, acenos de austeridade. A quem conta moedas no supermercado, respostas vagas.
Cerca de 70% dos mais de 41 milhões de benefícios do INSS equivalem ao mínimo. Limitar seus reajustes à inflação economizaria para o governo, mas significaria menos dinheiro para os beneficiários. Vale lembrar que Jair Bolsonaro já abandonou a valorização real do piso durante seu mandato. E também recordar que o mínimo hoje é R$ 1.621, mas, segundo o Dieese, seriam necessários R$ 7.565,86 para sustentar dignamente uma família de quatro pessoas. Não é extravagância comunista. É o que prevê a Constituição.
Equilibrar as contas é necessário. Mas por que a tesoura encontra tão facilmente o bolso dos mais pobres, enquanto privilégios, distorções tributárias e subsídios de R$ 800 bilhões recebem tratamento delicado?
A falta de compromissos com os trabalhadores não fica por aí. Desde 2006, a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo convida presidenciáveis a firmar uma carta contra a escravidão contemporânea. Lula assinou, Flávio, embora convidado, não o fez até o prazo estabelecido. Isso não significa que defenda o trabalho escravo. Mas cabe perguntar por que não formalizar compromisso tão elementar.
Se pretende cortar direitos, que diga quais e quem pagará a conta. O eleitor merece saber antes de votar, não depois de descobrir que comprou gato por lebre. O mínimo que se deve a quem vive com um salário mínimo é a verdade.
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Leonardo Sakamoto, jornalista - nas redes sociais.





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