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08/10/2026 - 17h13

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Flávio vai tungar aposentado e salário mínimo?

 

"O eleitor merece saber antes de votar, não depois de descobrir que comprou gato por lebre."

 "O eleitor merece saber antes de votar, não depois de descobrir que comprou gato por lebre."

O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, precisa responder se manterá a atual política de reajuste do salário mínimo acima da inflação. E se garantirá os mesmos ganhos reais às aposentadorias e benefícios vinculados ao piso. Sim ou não, é simples. 

Segundo Fernando Canzian, na Folha, sua equipe estuda um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões, incluindo desvincular aposentadorias e BPC da valorização do mínimo e alterar os pisos de saúde e educação. A campanha diz que nada é oficial. Então basta prometer que não fará isso. Mas o silêncio convém. À Faria Lima, acenos de austeridade. A quem conta moedas no supermercado, respostas vagas.

Cerca de 70% dos mais de 41 milhões de benefícios do INSS equivalem ao mínimo. Limitar seus reajustes à inflação economizaria para o governo, mas significaria menos dinheiro para os beneficiários. Vale lembrar que Jair Bolsonaro já abandonou a valorização real do piso durante seu mandato. E também recordar que o mínimo hoje é R$ 1.621, mas, segundo o Dieese, seriam necessários R$ 7.565,86 para sustentar dignamente uma família de quatro pessoas. Não é extravagância comunista. É o que prevê a Constituição.

Equilibrar as contas é necessário. Mas por que a tesoura encontra tão facilmente o bolso dos mais pobres, enquanto privilégios, distorções tributárias e subsídios de R$ 800 bilhões recebem tratamento delicado?

A falta de compromissos com os trabalhadores não fica por aí. Desde 2006, a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo convida presidenciáveis a firmar uma carta contra a escravidão contemporânea. Lula assinou, Flávio, embora convidado, não o fez até o prazo estabelecido. Isso não significa que defenda o trabalho escravo. Mas cabe perguntar por que não formalizar compromisso tão elementar.

Se pretende cortar direitos, que diga quais e quem pagará a conta. O eleitor merece saber antes de votar, não depois de descobrir que comprou gato por lebre. O mínimo que se deve a quem vive com um salário mínimo é a verdade.

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Leonardo Sakamoto, jornalista - nas redes sociais. 


 

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