Eu, Precisando de mais conhecimentos sobre urbanização no Brasil, fui atrás de pesquisas e encontrei no Livro de Aluísio Azevedo: O Cortiço as razões de demolições de moradias no centro do RJ. Mas antes de comentar o livro, iremos fazer um resgate de como era o ambiente de moradia naquela cidade. No final do século XIX, uma porcentagem da população do RJ, morava em Cortiços, no centro da cidade. Nesses cortiços concentrava uma grande população de baixa renda, ex-escravizados e imigrantes pobres que viviam em habitações coletivas. Essas áreas foram estimadas pelo poder público e pela elite como focos de doenças (como febre amarela, varíola e peste bubônica) e de criminalidade. A justificativa oficial para a derrubada dos Cortiços era a necessidade de saneamento e modernização da cidade e, segundo eles, “civilizar” a capital, expulsando a população pobre do centro da cidade, gerando o surgimento das primeiras favelas (1ª favela no RJ, Morro da Providência). Os Cortiços se situavam em grandes casarões no centro comercial da cidade (cortiço mais famoso era: Cabeça de Porco). Esses casarões pertenciam a membros da elite carioca. A demolição dos Cortiços no RJ, segundo historiadores, foi uma intervenção higienista e autoritária. Entre o final do século XIX e início do século XX, na administração dos prefeitos Cândido Barata Ribeiro (1843/1910), prefeito 1892/1893 e Francisco Pereira Passos (1836/1913), prefeito 1902/1906. Presidente do Brasil: Rodrigues Alves (1848/1919).
O Cortiço. Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (1857/1913). Desde cedo conviveu com o preconceito, pois a união de seus pais era vista como um grande escândalo na sociedade da época, a mãe, Emília Amália Pinto de Magalhães (1818/1889), havia sido casada e separou-se do primeiro marido, vivendo, sem aprovação da igreja, com o vice-cônsul de Portugal, David Gonçalves de Azevedo (1816/1878). Em 1876, aos 19 anos Aluísio Azevedo foi para o RJ estudar, levado pelo irmão Artur Azevedo (1855/1908) que também era escritor, passando a colaborar com alguns jornais, em 1879, com a morte de seu pai voltou ao Maranhão e iniciou a vida literária, publicando: Uma lágrima de Mulher, em 1880. Aluísio, tinha uma forte preocupação com a sociedade. Usava seus livros para mostrar os problemas do Brasil no final do século XIX, como o preconceito de cor, a pobreza, a ganância e a força do ambiente sobre as pessoas. O livro, O Mulato (1881, lançado no auge da Campanha Abolicionista que provocou um grande escândalo), expôs o racismo e a hipocrisia da sociedade do Maranhão (também do Brasil contra as pessoas negras). Publicado em 1884: Casa de Pensão descreve a vida nas pensões chamadas familiares, onde se hospedavam jovens que vinham do interior para estudar na capital. Ocupante da cadeira nº 4, da Academia Brasileira de Letras, não foi o suficiente para ganhar dinheiro. Desiludido com a situação, abandonou as letras e, seguiu carreira diplomática, até o final da vida. Aluísio, morreu em Buenos Aires (Argentina), em 21 de janeiro de 1913, vítima de um atropelamento, no exercício do trabalho diplomático. Em 1919, o seu corpo foi trazido para São Luís, onde está sepultado.
Porque, eu trago O Cortiço para discussão em pleno século XXI, ano 2026? As obras de Aluísio Azevedo, embora ficção, são baseadas em fatos reais e representam uma crítica à sociedade brasileira do final do século XIX, destacando o racismo, a exploração do trabalhador, a corrupção e a desigualdade urbana. Para o governo e a elite da época, os livros funcionam como um escândalo que expôs as feridas coloniais e o lado feio da modernização. O Cortiço em si: denunciou a insalubridade das habitações coletivas, a ganância implacável dos donos de imóveis e a degradação humana gerada pelo capitalismo selvagem e pelo abandono público. Costumo dizer que as diferenças dos dias de hoje, são poucas.
O Cortiço é um livro que muitos conhecem, mas poucos leram. Personagens. João Romão: Português dono da pedreira e do cortiço, representa o capitalista explorador; Bertoleza: quitandeira, escrava cafuza que mora com João Romão, para quem ela é explorada; Miranda: Comerciante português. Principal opositor de João Romão, mora num sobrado aburguesada, ao lado do cortiço; Jerônimo: Português “cavouqueiro” trabalhador da pedreira de João Romão, representa a disciplina; Rita Baiana: Mulata sensual e provocante, representa a mulher brasileira; Piedade: Portuguesa que é casada com Jerônimo, representa a mulher europeia; Capoeiro Firmo: Mulato e companheiro que se envolve com Rita baiana; Arraia- Miúda: Representada por lavadeiras caixeiros, trabalhadores da pedreira e pelo policial Alexandre. PENSE NISSO. Vale a pena ler o livro.
*******
José Teófilo Cavalcante. Conselheiro de Saúde, Defensor Intransigente do SUS, Diretor do SINTSPREVS/PI.





Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.