O título Fazendeiro do ar é do Drummond, mas o rebanho alado que pasta diariamente no meu quintal é, de certa forma, meu. Chegam, aos magotes, por volta das 7 horas, e começam a trinar, cantar, arrulhar... São rolinhas, canários da terra, pardais e, acidentalmente, um cardeal. Ao contrário do que pensam os “ecologistas de gabinete”, não há nada de “harmonia” na conduta da passarada. Por incrível que pareça, as “dóceis” rolinhas são as mais agressivas: disputam, entre si cada grão de xerém. De qualquer forma, não se matam.
Do alto de uma pitangueira, Frederico, o bem-te-vi agudo, observa tudo com ar de xerife. Como não se alimenta de xerém, não toma parte nas refregas. Basta pintar alguém com jeito de concorrente, o bicho se assanha e escorraça o intruso, seja um rei congo, um anum, um gavião...
Quanto a mim, cabe-me apenas o papel de provedor do festim. Findo o banquete, cada um vai cantar onde bem quiser. Não lhes cobro nem mesmo o canto. Indiferente a tudo, a manhã segue o seu curso.
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.





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