Houve um tempo, não muito distante, em que, enquanto os indígenas brasileiros engordavam as estatísticas negativas, os “índios” alegóricos desfilavam em paradas cívicas e escolas de samba. Parafraseando o poeta Salgado Maranhão, os indígenas eram números ímpares só para sobrar na contagem...
Com muita luta e “ardente paciência”, conseguiram avançar um bocadinho: hoje, há indígenas nas universidades e até na ABL. Ainda é muito pouco, mas como ensina o preceito zen: “estrada longa, passos curtos”.
Nesta edição do SALIPI, graças aos esforços do professor Cláudio Braga e de outros companheiros de jornada, marcaram presença no Salão indígenas do Maranhão e do Piauí. Não vieram “enfeitar” a festa; vieram mostrar avanços e conquistas. Trouxeram na bagagem material didático bilingue: cartilhas, poemas e cantigas, escritos em português e nas línguas nativas. A filosofia é simples: aprender a língua do dominador, sem esquecer a sabedoria ancestral.
Entre os integrantes da caravana, veio uma figura emblemática: Francisquinho, que ostenta o título pomposo de orientador da ação saberes indígenas nas escolas dos Canela. Francisquinho roubou a cena: falou, inclusive em inglês, cantou, dançou, encantou a plateia.
Com muita propriedade, uma cidadã presente afirmou: “Há coisas que só acontecem no SALIPI”. Assim tem sido e assim será!
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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