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Rapte-me Camaleão

 

Professor Feliciano Bezerra reflete "grandes momentos literários"

 Professor Feliciano Bezerra reflete "grandes momentos literários"

Quando Luís Vaz de Camões escreve sua epopeia “Os Lusíadas” olhando finamente para a “Ilíada” de Homero, temos grande momento literário.

Quando Machado de Assis se envolve, epigonalmente, com a obra “A vida e as opiniões do cavaleiro Tristram Shandy”, do inglês Laurence Sterne, ou, quando nomeia seu narrador-personagem como Santiago, em “Dom Casmurro”, para lembrar o vilão Iago, da obra “Otelo” de Shakespeare, temos grande soflagrante literário.

Quando Carlos Drummond de Andrade intertextualiza o primeiro verso do livro 1 “Inferno”, da “Divina Comédia” de Dante Alighieri, “no meio do caminho desta vida me vi numa selva escura,” para o seu “no meio do caminho tinha uma pedra”, temos grande instante literário.

Quando Osvald de Andrade, com seu grito antropofágico, transfigura o solilóquio hamletiano, para “tupi or not tupi that in the question”, ou quando o mesmo poeta refaz o verso de Gonçalves Dias “Minha terra tem palmeiras” para “minha terra tem palmares”, temos grande átimo literário.

Quando Torquato Neto explode o verso Drummondiano “quando nasci um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: vai Carlos ser gauche na vida”, para “quando nasci um anjo louco muito louco veio ler a minha mão, não era um anjo barroco era um anjo muito louco, torto com asas de avião”. 

Quando também Chico Buarque escala o seu “quando nasci veio um anjo safado, um chato dum querubim”, e Adélia Prado instiga “quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira, cargo muito pesado pra mulher”, temos grande pináculo literário.

Quando Belchior canta “como Poe, poeta louco americano, eu pergunto ao passarinho black bird, assum-preto, o que se faz? e raven, never, raven, never, raven never, raven, never, raven assum-preto, pássaro-preto, black bird, me responde tudo já ficou atrás” trazendo o poema “The Raven” (o corvo), de Edgar Alan Poe para o nordeste brasileiro, temos grande voo literário...

ó lira salgada, quanto do teu sal

são sabores de epigonal!

*****

Feliciano Bezerra, professor doutor da UESPI - nas redes sociais. 

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