Quando chega ao Sertão,
A chuva é uma atração,
O homem fica animado...
De manhã, logo cedinho,
Toma o seu cafezinho,
E corre para o roçado...
A babugem aparece,
E o homem faz sua prece,
Agradecendo a Jesus...
E o leite da vacaria,
Aumentando, a cada dia,
O inverno é uma luz...
A natureza é um encanto,
Ela se transforma tanto,
Santa chuva abençoada...
O canto do passarinho,
Pondo seu ovo no ninho,
Na festa da passarada...
No meio-dia, se tem,
Sinal de que a chuva vem,
Já se ouvem trovoadas...
_ Meninos, tragam a lenha,
Antes que a chuva venha,
E fique toda molhada...
A tarde é uma maravilha,
Tudo o que é de vasilha,
Coloca-se na goteira...
É uma tranquilidade,
Água boa, à vontade,
Durante a semana inteira...
Depois que a chuva passa,
A meninada repassa,
Se há água no barreiro...
É grande a correria,
Ante, tamanha alegria,
Dos sertanejos guerreiros...
À noite, um clima ameno,
A gente dorme sereno,
A noite de sono é boa...
E o som da madrugada,
É ouvi a saparada,
Festejando na lagoa...
No fim da semana, vem,
Os parentes que se tem,
A festança é animada...
O rio, pra se nadar,
Tem ponche, tem aluar,
Galinha, e panelada...
Esta é a tradição,
Que temos cá no Sertão,
Quando a chuva aparece...
E na Festa da Padroeira,
A população inteira,
Agradece, e faz a prece!
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João Medeiros, poeta nordestino.






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