Manter uma companhia teatral por 40 anos no Brasil é um feito extraordinário, e quando o recorte geográfico-cultural se assenta na unidade federativa do Piauí, ganha significado quase transcendente. No dia 12, no Teatro 4 de Setembro, foi celebrado este feito pelo grupo Harém de teatro.
Sob o sintagma metateatral “Harém conta Harém” vimos fragmentos do discurso amoroso dessa companhia, encenando seu sedimentado repertório dramatúrgico sob as mãos afiladas de trançador (Borges) do seu criador e diretor Arimatan Martins, com surpreendente ousadia transnacional de co-direção de invenção do encenador Gerald Thomas.
Arimatan comandou toda a cena em gabinete cenográfico ao lado direito do palco. Como uma espécie de copista medieval, nosso mago, com sua pena de galo, escrevia em folhas gigantes de um grande livro a história do grupo, numa ótima solução encontrada por Gerald Thomas para incluir o diretor na encenação, quebrando a quarta parede e recuperando, imageticamente, o narrador Benjaminiano, em alerta para a sempre necessidade de que toda, boa, história deve ser contada.
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Feliciano Bezerra, prrofessor doutor da UESPI - nas redes sociais.






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