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04/11/2025 - 09h56

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"De Cor e Salteado"

 

Professor Lourival Lopes e seu neto, João Félix

 Professor Lourival Lopes e seu neto, João Félix

Para iniciar esta nota, reporto-me ao ano de 1975, entre o final de fevereiro e o início de março. Meu pai havia comprado uma bicicleta Monark, modelo 74, e me dado de presente para eu ir a/ e vir de Teresina.

Na verdade, o presente era para que eu pudesse estudar naquela cidade sem precisar pagar/pegar ônibus. Minhas aulas seriam à tarde, na Escola Técnica Federal do Piauí (ETFPI).

Minha mãe comprava 10kg de arroz, cinco sardinhas e 01kg de feijão. Juntava tudo num saco, e eu amarrava-o na garupa da bicicleta, e pedalava até Teresina, com destino à casinha de taipa de uma tia que iria me abrigar.

Era uma segunda-feira que se repetiu por três anos, enquanto durou o curso científico. Sempre o mesmo trajeto, três horas e meia pedalando, para conquistar o meu espaço, através da educação. A volta acontecia sempre aos sábados, de manhã. Saía às sete horas de Teresina e chegava a União às 10 horas e trinta minutos. Tudo no meu ritmo. Eu tinha 16 anos.

Aos 19 anos, entrei na Universidade, para fazer o curso de Letras-Português, em 1978. Aos 20, tornei-me professor no Ginásio Filinto Rego, onde havia estudado o curso ginasial, terminado em 1974.

Nesse mesmo ano, fui convidado pelo Prof. José Carlos Viana, pela interferência de meu amigo Prof. José Orlando da Silva, para ministrar aulas de Redação e Expressão e Literatura Brasileira no Colégio Comercial Marcos Parente.

No início, passei sete meses sem receber salário, mas não desisti. Posteriormente, tranquei o curso, porque tive que optar: ou estudava ou trabalhava. Naquela época, o salário do professor era pago de acordo com a quantidade de horas que ele dava, podendo chegar a até 200 horas, sem horário pedagógico. Conseguir ser professor de 200 horas significava distribuir as aulas entre os três turnos, se quisesse ganhar um pouquinho mais.

Nunca trabalhei em outra profissão, em quase toda a minha vida fui professor. Já são praticamente quarenta e sete anos. Mas não reclamo de nada. Só agradeço. Fiz por merecer um espaço, que eu próprio conquistei. Foi difícil? Foi, mas o que é fácil nesta vida?

A minha história é parecida com a de muitos unionenses, que tiveram que sair de sua terra para poder sobreviver, ou, como se diz por aí, ganhar a vida. Eu tive a sorte de vir morar e trabalhar aqui. Há mais de cinquenta anos que vivo aqui.

Não nasci em União. Sou da Barriga d’Areia, do outro lado do rio Parnaíba. No entanto, no registro e na RG sou filho de União. Isso não importa. O que importa é que a minha unionensidade é maior que meu EU. Ninguém, talvez, possa imaginar o amor que devoto a essa terra.

Então, eu posso dizer, parodiando uma frase do discurso de posse de Jonh Kennedy, eu nunca perguntei o que a cidade pode fazer por mim, mas o que eu, Lourival da Silva Lopes, filho de seu Antônio Félix e da dona Biná, poderia fazer por essa cidade. Sendo assim, entendo que tenho, como muitos têm, credenciais para criticar aqueles que desejam usurpar esta cidade.

*****
Lourival Lopes Silva, professor do IFPI e escritor - nas redes sociais.

 

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