A leitura foi sempre uma marca na minha vida. A minha memória de leitor começa na infância pobre vivida na Barriga d’Areia.
Sentado num tamborete, ouvia de meu pai, lendo para algumas pessoas, a História do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França. Lia e fazia longos comentários sobre os valentes cavaleiros, principalmente Roldão e Oliveiros. Este venceu, em batalha épica, o gigante mulçumano Ferrabraz.
A história desse livro é emblemática e, de certo modo, misteriosa. Meu pai o guardava dentro de uma mala. Não sei o que houve, mas é certo que ele perdeu o exemplar que tinha. Não sei como, tempos depois, já morando em União, ele consegue outro exemplar.
Meu pai era apaixonado por esse livro. Não durou muito tempo, novamente ele perdeu o livro e nunca mais o encontrou.
Esse livro ficou desenhado na minha memória, como algo marcante na vida de um leitor. Fiz uma pesquisa na Estante Virtual, que é uma livraria de livros usados, na intenção de encontrá-lo. Tive sorte. Encontrei um exemplar. A edição é a mesma, pena não haver nenhum registro do ano de publicação.
Quando o recebi, a recordação, lá nos longes da minha infância, assentava meu pai, rodeado de pessoas, com o livro nas mãos.
O livro, que hoje tenho e guardo com muito carinho, é exatamente igual àquele que meu pai tinha. Na folha de rosto, tem a assinatura do antigo dono com a data: Rio, 9/ 6/ 62. Essa data coincide com a minha infância.
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Lourival Lopes Silva, professor do IFPI e escritor - nas redes sociais.






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