Meu amigo Herbert Meneses, nosso Bebinha, morreu há cinco anos, exatamente no dia 9 de outubro de 2020. Não posso deixar de homenageá-lo.
Houve uma época em que morei com meus pais na Rua Areolino de Abreu, uma casa de esquina, com duas janelas frontais que davam para o meu quarto e uma porta no corredor lateral. Era uma entrada independente da entrada principal. Quando eu saía para algum compromisso, deixava sempre a chave na parte superior da caixa da porta. Ao retornar, de longe eu percebia que a janela do meu quarto estava aberta.
Bebinha sabia onde eu guardava a chave. Confesso, hoje, cinquenta anos depois, que meu coração se alegrava. Eu sabia que ele estava à minha espera, para conversarmos, ouvirmos música e planejarmos nossos próximos passos.
Saíamos juntos, bebíamos juntos, jogávamos juntos, estudávamos juntos no Colégio São Francisco de Assis (o famoso São Chico), íamos a festas e vivíamos intensamente uma amizade que se prolongou pelo tempo em que durou sua vida.
Bebinha era um grande amigo, divertido, entusiasmado, uma pessoa que sabia ouvir e cauteloso no que iria dizer. Às vezes, passávamos tempos sem nos encontrar, já casados, quando a vida nos levou cada um para o seu rumo. Mas, quando coincidia de nos encontrarmos numa rua qualquer, a felicidade era mútua, brindávamos à nossa existência, ríamos muito e nos despedíamos com o peito lavado. Por essa gratidão, não posso deixar de homenageá-lo. Vou homenageá-lo enquanto eu puder.
Quisera eu ter sempre saúde, para não esquecer nunca dos meus amigos que se foram. Nós, os sobreviventes, precisamos nos ver mais, nos aproximar mais, nos vangloriar de nosso passado, matar a saudade e nos abraçarmos e relembrarmos uma fascinante parte de nossas vidas que passamos juntos. É assim que geramos memória, até não sei quando.
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Eneas Barros, escritor piauiense - nas redes sociais.






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