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Ciência, Amor e Humor

 

"Nossos Tempos” (2025), comédia de ficção científica charmosa e agradável.

 "Nossos Tempos” (2025), comédia de ficção científica charmosa e agradável.

Domingo, 29 de junho, em nossa sessão cinematográfica aqui em casa, assistimos ao filme mexicano “Nossos Tempos”(2025). Comédia de ficção científica charmosa e agradável. Trata-se do velho tema da ultrapassagem da barreira do tempo, ânsia humana utópica, reverberada por apontamentos científicos e bastante explorada no cinema. 

Um casal de físicos, apaixonados, inteligentes e bem humorados, ambos professores do departamento de física de uma universidade mexicana, desenvolvem secretamente uma máquina do tempo, no ano de 1966. Conseguem concluir o experimento e, obviamente, alcançam sucesso e são teletransportados ao ano de 2025, para espanto do que encontram no futuro. 

O diretor Chava Cartas consegue manter o equilíbrio entre as sequências, conta com dupla de protagonistas bons atores (Lucero e Benny Ibarra) e mostra que sabe fazer cinema. As nuances e soluções do roteiro seguem os influxos desse tipo de narrativa, cheio de licenças científicas e clichês para seguir o pacto ficcional comediógrafo. As passagens de humor funcionam, explorando os choques temporais de gerações, de informações, tecnologias, comportamentos, valores, o empoderamento feminino etc. 

Mostrando graciosamente o tema, há até a sutil citação ao clássico “de volta para o futuro”, filme de 1985, do diretor Robert Zemeckis, quando aparece numa rua o famoso carro DeLorean saindo em disparada.
 
Boas comédias costumam trazer fundo dramático e simbólico expressivos, em “Nossos Tempos” não é diferente. Para além da racionalidade dos ramos da física com suas equações de eletromagnetismo, relatividade e termodinâmica, há o almejado amor conjugal e sua glorificada força de investimento incansável, capaz de vencer todos os tempos, barreiras e circunstâncias, mesmo enfrentando as angústias que envolvem a busca do real possível, a qual o imaginário e o simbólico teimam em não permitir.
 
Recomendo o filme. Destaco o espaço narrativo, pouco comum nesse tipo de produção: tudo se passa no ambiente acadêmico de uma universidade, a Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), na Cidade do México. Professores, alunos, departamentos, diretores, reitora, reuniões, batalhas de financiamento para a pesquisa… Fugindo do estereótipo de cientistas malucos solitários ou de malignos que querem dominar o mundo com suas invenções, os protagonistas são professores/pesquisadores enfrentando revezes, e conquistando vitórias, numa carreira científica acadêmica. Muito bacana, só não sei se no ensino universitário do México há algo semelhante ao nosso mal-humorado Currículo Lattes.

*****
Feliciano Bezerra é professor doutor da UESPI - nas redes sociais.


 

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