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Livros estão fora de moda?

 

Pais deveriam ensinar o caminho da leitura (Foto: Agência Brasil)

 Pais deveriam ensinar o caminho da leitura (Foto: Agência Brasil)

Gosto muito de livros, mas cada vez mais sinto que livros estão fora de moda.

Livrarias fecham suas portas quase diariamente. Com o advento das lojas virtuais, acho-as obsoletas. Não é esse o caso.

O grande problema é leitura de livros ser coisa de gente ultrapassada, como eu.

Desde meus dezesseis anos que mantenho uma convivência direta com os livros e seus autores. Parece que pertencemos à mesma casta.

Ver alguém sentado em uma poltrona (cadeira) com um livro nas mãos tem sido cena raríssima na atualidade.
O celular nos engoliu a todos. Viramos seus escravos. Há até uma propaganda da Samsumg em que as pessoas se servem do celular para cozinhar, por roupas na máquina etc.

Velhos gostam de fogão a lenha e de cozinhar com os próprios temperos. E ainda esfregam as roupas nas mãos e as batem na pedra para ficarem limpinhas.

Velhos são ultrapassados. Mas eu analiso isso com alegria.

Dou-me conta de estar caminhando por caminhos que eu próprio vou fazendo. Acho que ser ultrapassado é abrir novos caminhos por vontade própria.

Lembrei-me do Cântico Negro, um dos mais belos poemas em língua portuguesa, que diz a certa altura: “Só vou por onde me levam meus próprios passos...”

É a leitura que tudo isso possibilita. Mas é vergonhoso saber que o brasileiro lê menos de quatro livro por ano. 

Por outro lado, atinge milhares de laiques em suas redes sociais. Isso, sim, é importante.

Filhos são largados por aí, sem disciplina, sem educação e fazendo o que quer, sob os aplausos dos pais. “Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas” – ensina Khalil Gibran em O Profeta.

Em vez de os pais jovens ensinarem aos filhos o caminho da leitura, preferem criar para eles contas no youtube, instagram, tiktok e Kawai – acho que seja assim que se escrevem tais palavras.

Sempre gostei de títulos de livros. Há títulos que valem um livro todo. Machado de Assis criou um título maravilhoso: Memórias póstumas de Brás Cubas. Escrever memórias depois de morto é algo muito espiritual, psicológico, machadiano.

Álvares de Azevedo morreu antes de completar 21 anos. Era poeta do romantismo brasileiro, tradutor de Shakespeare. Deixou belas poesias em um livro publicado depois de sua morte: Lira dos vinte anos. Belíssimo título.

Falar essas coisas hoje não tem nenhum valor. Só gente ultrapassada gosta disso. E eu sou uma delas.

*****
Lourival Lopes Silva, professor do IFPI - nas redes sociais. 

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