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03/10/2026 - 21h31

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Toda Eleição é Diferente? Parece!

 

Na ONU, Lula fala sobre soberania e democracia

 Na ONU, Lula fala sobre soberania e democracia

Tenho usado minha “lista de remessa do WhatsApp” para distribuir os artigos que venho escrevendo. Desta vez, como nas outras campanhas eleitorais, estou “distribuindo” um artigo mais “direcionado”.

Todos que receberão esta mensagem sabem (ou esperam) que vou pedir apoio às “chapas do PT”. É lógico: são 46 anos de engajamento; o pedido já se tornou “tradição”. Mas, por incrível que pareça, o pedido deste ano não é tradicional, isto é, repetitivo. É diferente, porque a situação é “terrivelmente” diferente.

Em 2018, 2022 e 2026 começou a surgiu outro tipo de disputa eleitoral no Brasil. Não estamos vivendo a costumeira competição entre partidos ideológicos ou pelo menos progressistas e partidos tradicionais. Os partidos tradicionais são “a-ideológicos” politicamente, embora defensores “automatizados” do capitalismo, com seu dinamismo e sua produção de desigualdade, e a articulação com formas econômico-sociais atrasadas, marca da “revolução burguesa” (cf. Florestan Fernandes) no Brasil.

Ora, a extrema-direita é politicamente ideológica, mesmo sem muita elaboração teórica, como é o “bolsonarismo” entre nós. Assim, o que está em jogo, em 2026 (mais forte ainda que em 2022), é a disputa entre interrupção ou a continuidade e o aprofundamento do processo de democratização do país que retomamos em 1985. Atentai bem: Bolsonaro pai (Jair) anunciou várias vezes bravatas autoritárias; derrotado nas eleições, tentou de fato um golpe. A falta de apoio da maioria das Forças Armadas funcionou como barreira a favor da democracia. Se eleito, o Bolsonaro filho (Flávio) começará a conspirar a partir do primeiro dia. Irá sufocando os mecanismos institucionais em atos seguidos e, quando menos esperarmos, o autoritarismo terá institucionalizado “instituições tuteladas” (desculpem o pleonasmo).  Gosto da frase que não deve ser vista como lugar comum: “Na democracia, é normal perder uma eleição. O que é inaceitável é perder a democracia numa eleição”. Isto não é paranoia; é ameaça real atualmente.

Por outro lado, é assustador a “falta de cerimônia” (como diria a mamãe; “descaramento”, digo eu) na defesa da submissão internacional do Brasil. Nesse aspecto, a situação é também grave. Não se trata da velha submissão estrutural - econômica e militar - ao imperialismo (essa continua sendo a palavra adequada) americano, que temos enfrentado com o multilateralismo ativo. Com o estilo Trump, cultuado pela família mandona no bolsonarismo, trata-se submissão direta pela intervenção econômica, política e, no limite, militar. Os países latino-americanos - Brasil agora na mira – voltam a ser vistos como "U.S. backyard". O Brasil não cabe no quintal de ninguém, proclamou Lula na ONU. Soberania não é apenas um status; é a capacidade de construir o seu próprio futuro.

E por falar em futuro, tenho esperança (quase certeza) de que Lula fará um quarto mandato com grandeza, até porque será o último. Não dá mais para apenas mostrar o que já foi feito. De fato, foi preciso reconstruir o que Bolsonaro pai desmontou. E em certo sentido, ainda se precisa fazer “mais do mesmo”, pois, a herança histórica é muito pesada.

Contudo, um mandato com grandeza significa a abertura de um horizonte para as gerações seguintes, que estão substituindo a geração de Lula e dos fundadores do PT.

As políticas sociais têm seus limites, se não são articuladas com crescimento econômico robusto. Crescimento econômico na era da revolução digital passa por grande investimento em ciência, tecnologia e inovação e por preparação educacional das pessoas, em especial dos jovens. Exige reindustrialização, através de incentivos públicos e formação de joint-ventures com empresas americanas, japonesas, chinesas e europeias.

E diante das grandes transformações geopolíticas, um mandato com grandeza precisa encerrar o ciclo de ver as Forças Armadas como “herdeiras da ditadura”. Sem modernização tecnológica e sem formação e valorização institucional das instituições militares, a soberania fica mais vulnerável.

Um mandato com grandeza não depende apenas do Parlamento e do Judiciário. Precisa ter bases nos vários setores da Sociedade, na produção intelectual, na entrega de serviços públicos e na confiança dos cidadãos e cidadãs na probidade de seus dirigentes.

Não se trata do Lula, mas do Brasil e do Piauí. Mas, nas circunstâncias históricas atuais, Lula tem o perfil para ser o líder da resistência e do avanço democrático. E ele tem consciência disto.

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Antonio José Medeiros, sociologo e professor da UFPI. 

 

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