Para Wilson Seraine
Falar da generosidade de Luís do Gonzaga é fazer chover no mar. O velho Lua parecia ser constituído de talento, alegria e generosidade. Há dilúvios de exemplos de generosidade em sua trajetória. Pinga (José Carlos Mendonça), que foi empresário de seu Luís, conta muitas histórias. Uma delas:
A pequena caravana de Luís Gonzaga fazia um turnê pelos sertões do nordeste. De repente, na periferia de um cidadezinha perdida, avistaram um circo com a lona em farrapos. Seu Luís mandou parar o carro e foi até o circo. Procurou o proprietário, que mal acreditou no que estava vendo. Seguiu-se a diálogo:
- Sabe quem sou eu?
- Seu Luís, Rei do Baião, gaguejou o moço.
- Mande um carro de som anunciar que vou me apresentar no circo hoje.
- Mas eu não posso pagar o senhor.
- Eu não vim lhe vender show. Ponha carro para anunciar.
No início da noite, uma fila enorme cercava o pequeno circo. No horário combinado, seu Luís cantou, contou histórias, encantou a plateia. O dono do circo mal acreditou no que aconteceu. Pegou a dinheirama e foi prestar contar ao Rei. Seu Luís, em tom de brincadeira, passou-lhe uma descompostura:
- Eu lhe vendi show, sujeito?
- Não, senhor.
- Compre uma lona nova para o circo. Daqui a 30 dias, estarei em Serra Talhada. Leve o seu circo pra lá. Se tiver comprado a lona, farei outra apresentação de graça. Se não tiver comprado, vai me pagar o valor do show.
E assim se fez. Luís Gonzaga deu uma sobrevida a um circo que estava às moscas. Carece dizer mais?
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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