Corria o ano da graça de 1976, se não me trai a memória, quando assisti, no Theatro 4 de Setembro, ao Show “Sorriso de Verão”, de Jards Macalé. Não me lembro de ter visto nenhum show mais bonito. Palco nu, iluminação correta e o Macalé iluminado. O cantor mudava de camisa e contemplava um tipo de repertório, do pop ao samba do morro...
Muitos anos depois, já da década de 1990, ouvi a canção “Favela” interpretada por ele. Uma interpretação soberba, para dizer o mínimo.
Confesso que pouco sei da trajetória luminosa de Macalé, um artista que desconhecia o sentido da palavra limite. Sei que Incorporou, como ninguém, o espírito de “Let’s Play That”, letra de Torquato Neto: “Vai , bicho, desafinar o coro dos contentes”.
Com o silêncio de Jards Macalé, a MPB perde muito do sopro de criatividade que ainda teima em resistir. Até quando?
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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