O destino dos pais, velhos, é a solidão. Filhos são como flechas lançadas em voo rumo ao alvo que não é projetado pelo arqueiro. Querer prender os filhos, deixá-los por perto, paparicá-los, protegê-los, não é a melhor atitude. Velhos têm que subir a montanha, isolarem-se, e morrerem sozinhos. Li, certa vez, um texto do livro O PROFETA de Khalil Gibran, que expressa uma grande verdade. Diz assim:
"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável".
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Lourival Lopes Silva é escritor e professor do IFPI - nas redes sociais.






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