Quando lançamos o Feito em Casa, em maio de 2009, não tínhamos a menor ideia do que poderia acontecer. Acreditei que, com alguma sorte, o programa ficaria no ar por uns dois meses. Ficou 11 anos. Nesse ínterim, vivenciei algumas experiências incríveis. Uma delas me marcaria para sempre. Pouco tempo após o programa estar no ar, fui proferir uma palestra numa escola de Santa Teresa, periferia de Teresina. Até aí, nada de extraordinário: faço isso quase todas as semanas.
No final da conversa com a molecada, fui abordado por um adolescente que, para minha surpresa, me pediu um autógrafo. Não me contive: meu mano, você deve estar pedindo autógrafo à pessoa errada. Sou apenas um velho professor e não uma celebridade. O garoto sorriu e rebateu: “ Põe o autógrafo aí, véio, e deixa de onda”. Perguntei-lhe o nome. “Meu nome é muito complicado. Põe apenas Luiz, que é meu apelido”. Rabisquei alguma coisa e preparei-me para sair. O garoto afirmou: “Por tua causa, já houve rolo lá em casa”. Diante do meu espanto, explicou: “Eu gosto do teu programa que passa justamente no horário do programa de religião que me minha mãe assiste. Eu ligava, ela desligava”. Fez uma pausa e encerrou o papo: “Arrumei um trampo, levantei uma grana e comprei um televisor pequeno pra mim e instalei no meu quarto. Lá posso assistir ao programa em paz”. Comovido, nem sei o que falei.
Há dois anos, o programa vem sendo exibido na TV Assembleia. Mudamos de emissora, mas continuamos com a mesma proposta: mostrar o Piauí aos piauienses.
Quanto a Luiz, não sei por onde anda, mas onde estiver, pode ter certeza que, quando termino de gravar o programa, sempre me pergunto: será que está digno do Luiz?
Assim tem sido e assim será.
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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