Das águas barrentas do rio bebi goles fundos,
Mergulhados na camboa de areia encardida.
Na boca do pote, minha mãe descia um coco
Para tibungar na água coada em pano de algodão
E encher um copo de alumínio, brilhante de areado.
O rio me deu sustância para vencer certos atalhos
Que a vida me fazia experimentar quando sozinho.
O rio me transmudava de vazio em vazio
E me acorrentava em suas correntezas velozes,
Me fazendo sacrifícios de travessuras.
O rio me deu substância, alimento diário,
E me conduziu pelas suas ribanceiras de areia,
Me fazendo rolar feito redemoinho movediço.
O rio me preparou para qualquer espetáculo,
Inclusive para a solidão que se despe de qualquer plateia.
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Lourival Lopes Silva - professor do IFPI, escritor e poeta unionense - nas redes sociais.






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