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05/09/2025 - 09h21

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Há 148 anos morria Crazy Horse Assassinado

 

Crazy Horse ou Tasunka Witko, na língua Sioux, significa “cavalo encantado”

 Crazy Horse ou Tasunka Witko, na língua Sioux, significa “cavalo encantado”

Em uma manhã de 25 de junho de 1876, uma surpreendente ação de 3 mil índios das tribos Sioux e Cheyenne, liderados por Cavalo Doido (Crazy Horse) e Touro Sentado (Sitting Bull), aniquilou o destacamento do General George Armstrong Custer, na Batalha de Little Bighorn. Nenhum soldado americano sobreviveu para contar a história. Apenas versões indígenas registraram o massacre daquele verão das planícies do estado de Montana.

Como era bem típico do exército americano à época, as mentiras corriam soltas. Promessas não cumpridas e ataques de surpresa faziam da vida indígena um inferno, pelo bem da segurança dos pioneiros que invadiam o interior dos Estados Unidos, em busca da terra prometida ou do ouro da Califórnia. Os fortes militares, ao longo das trilhas, garantiam a defesa das caravanas, que se protegiam como podiam dos ataques de Cheyennes e Sioux, habitantes da região central americana, longe do Oeste, conhecida como “farwest”.

Naquele ano de 1876, o orgulho do General Custer dizia que uma campanha vitoriosa contra os índios hostis acabaria por levá-lo à presidência dos Estados Unidos. Na tentativa selvagem de limpar o território americano da ousadia dos pele-vermelhas (Custer também tirava o escalpo de índios abatidos), o general acabou nas mãos de um dos maiores guerreiros da história indígena americana: Crazy Horse ou Tasunka Witko, que na língua Sioux significa “cavalo encantado”, traduzido vulgarmente para “cavalo doido”.

Na verdade, índios hostis foram aqueles que não aceitaram a submissão às reservas criadas pelo governo americano, que nelas mantinha o controle total sobre o comportamento indígena. Estabeleciam-se limites à liberdade territorial e reduzia-se a ação de caça, de pesca e do direito de ir e vir. Com a passagem dos pioneiros por terras indígenas, búfalos eram abatidos indiscriminadamente e terras ocupadas desordenadamente, com o aval do governo. Inúmeros tratados foram assinados, com a promessa de mudar esse quadro de invasão deliberada, que contava com a segurança total das cavalarias. Ao longo dos anos, as gerações encarregaram-se de anunciar o ódio pelos índios, expostos em telas de cinema e em publicações literárias como selvagens sanguinários. Nenhuma linha, no entanto, mostrou que a revolta indígena procedia de uma reação ao cerco que se formava, que os levava à fome, às doenças e ao desconforto de um território cada vez mais reduzido.

No dia 5 de setembro de 1877, depois de resistir o quanto pôde aos apelos de seus próprios companheiros para viver numa reserva, Cavalo Doido fez um acordo com o governo americano para se entregar. Era uma das últimas tribos a resistir ao cerco militar. A sua rendição foi uma das ações mais espetaculares que já se presenciou. Quem assistiu deixou registrado o feito em depoimento comovente. Em fila dupla, guerreiros, mulheres e crianças surgiram em marcha pelas planícies do Fort Robinson, a Noroeste de Nebraska, próximo à fronteira com Dakota do Sul. Tendo Cavalo Doido à frente, os guerreiros depositavam as armas enquanto se aproximavam da missão militar americana. Foi levado para dentro do forte, com a promessa de que iriam conversar e estabelecer as condições da rendição.

Mais uma vez a traição e a mentira se fizeram presentes. Inocentemente, o guerreiro se deixou levar para uma armadilha: a sala era na verdade uma prisão. Ao perceber as barras de ferro da cadeia, Cavalo Doido reagiu, puxou duas facas que mantinha sob o cobertor e partiu para o lado de fora. Foi segurado por companheiros seus, oportunidade em que um soldado traiçoeiramente enfiou uma mortal baioneta em suas costas. Fez-se cumprir a visão: seria morto nos braços do próprio povo. O seu corpo foi levado pelos pais para as planícies, para ser enterrado longe do local onde assassinaram o filho. Ninguém até hoje jamais soube o local exato onde ele foi enterrado.

Em sua homenagem, o Fort Robinson ergueu um monumento, em cuja placa colocaram os seguintes dizeres: “Chefe Crazy Horse. Oglala Chefe-Guerreiro da Nação Sioux, morto próximo a este monumento em 5 de setembro de 1877. Um grande chefe de caráter heroico. Lutou até o fim para garantir a terra nativa para o povo indígena”.

Dizeres generosos, mas tardios.

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Eneas Barros, escritor piauiense - nas redes sociais. 

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