Na semana passado, na companhia dos professores José De Nicola Neto e Vasco Moretto, passei dois dias em São Raimundo Nonato. Fomos conversar com professores da rede municipal de ensino do município. Como sói acontecer em tais circunstâncias, aprendi mais que ensinei. De qualquer forma, levamos um pouco de alegria aos colegas de ofício.
Um fato curioso: os professores, além do carinho, sempre nos oferecem coisas da terra. Nicola, por exemplo, ganhou um taco de “requeijão Cardoso”, um tipo de queijo que, até onde sei, só é fabricado na região. Vasco adorou a umbuzada. Quanto a mim, entre outros mimos, ganhei um punhado de rezina de angico preto, gentileza da Nivô Balduíno. Os caatingueiros sabem do que estou falando. Em determinada época do ano, o angico libera um resina deliciosa. Não bastasse o sabor, a resina tem propriedades terapêuticas: “um santo remédio para úlceras”, garantem os raizeiros.
O presente insólito me remeteu ao sertão de Campo Formoso. Às vezes, seu Liberato trazia-nos a preciosidade, botava de molho num tigela, acrescentava um pouco de rapadura e preparava uma espécie de sembereba deliciosa. Fazia um tempinho que eu não eu não tomava a bebida. Ao experimentá-la novamente, a exemplo de Proust com os biscoitos Madeleine, viajei pelos “deslimites” da imaginação... O poeta tem razão: “O pensamento parece uma coisa à toa/ mas como é que a gente voa quando começa a pensar...”
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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