Chico Buarque de Holanda completou este mês (19/06/25) 81 anos de idade com algumas rugas, poucas rusgas e muitos motivos para comemorar. Nenhum compositor brasileiro contemporâneo fez tanto e de forma tão competente quanto ele.
Já em meados da década de 1960, aceitou o desafio de musicar “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, um poeta que detestava música. Desincumbiu-se da tarefa com tal brilho que foi elogiado pelo próprio poeta.
O tempo se encarregaria de mostrar o talento multifacetado de Chico. Não chegou a ser uma unanimidade, mas esteve bem perto.
A ditadura não gostava dele; alguns intelectuais, também não. Nelson Rodrigues e Millôr Fernandes encabeçavam a lista. Millôr, por exemplo, não lhe perdoava o sucesso. Com fina ironia, afirmou: “Desconfio de todo idealista que ganha dinheiro com seu idealismo”. Chico foi curto em grosso: “Não vou brigar com o Millôr: eu não bato em velho”.
Em 1979, Chico gravou “Jorge Maravilha” com letra irreverente e provocativa: “Você não gosta de mim/ mas sua filha gosta”, afirmava o refrão. A censura não gostou. 46 anos mais velho, odiado pela direita e ignorado pelos jovens de hoje, se Chico fosse repaginar a música, teria de reescrevê-la assim: “Você não gosta de mim/ mas sua mãe gosta”. Isso prova que o tempo não perdoa nem os gênios.
De uma forma ou de outra, Chico Buarque propiciou a todos os brasileiros momentos inesquecíveis.
Longa vida, “seu” Francisco!
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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